quinta-feira, 16 de maio de 2013

Duas pétalas.


(Ler ouvindo Let It Be - Across The Universe)


Eu fiz um texto pra falar de silêncio. E nesse texto tinham muitas palavras que gritavam, então desisti. Eu fiz um texto que falava de decepção e angústia, mas acabei colorindo demais os versos, e o que era depressão, virou primavera. Eu tentei fazer um texto falando dos males da vida, dos problemas do mundo e toda essa crueldade que nos cerca, mas acabei fechando meus olhos humanos e abrindo minha alma pra exaltar a vida e os milagres do mundo, então rasguei a folha. Sentei sozinha e li tudo que havia escrito; depois de horas relendo cada texto, cada frase não terminada, cada ideia formulada e deixada de canto, cada introdução e tese sem conclusão, cheguei a uma teoria bonita: Eu nasci pra falar do amor. Como se estivesse parada em frente a várias ruas sem saber onde dariam, e ao entrar em cada uma, percebesse que todas levavam ao mesmo lugar. Entendi que não adianta fugir do que a gente é. Do que a gente faz e do que a gente é feito. Sou feita de amor. E repasso. Porque eu ouvi que o que é bonito é pra ser mostrado. E o meu amor é a coisa mais bonita que tem em mim. Consegui então, entender que não preciso fugir de mim pra ser quem quero ser. E falar do silêncio, da angústia, dos problemas, da vida e das cores. Porque tudo isso são apenas complementos, são pétalas. Pétalas que esperam a vida brincar de “mal-me-quer e bem-me-quer” pra vir à tona. Mas o amor, ah o amor é o bem-me-quer mais bonito da flor mais bonita. É o que envolve tudo isso e o que faz valer a pena. Conformei-me. Aceitei-me. Floresci. As minhas palavras gritam, porque meu peito não sabe falar baixo. E a primavera só nasceu em mim, depois de anos de cultivo de flores, espinhos e mãos cheias de terra. A gente só vê brotar aquilo que rega. E eu reguei, cuidei, deixei permanecer no terreno mais bem arado do meu jardim, esse sentimento. E não me arrependo. A vida sem amor não vale a pena. Não existe sorriso sem a emoção de amar. Não existo eu. Não existimos nós, sem algum tipo de romantismo e sentimento. No fim, eu fiz mais um texto piegas e uns versos clichês. Mas não fiquei desapontada. Eu sorri. E amei. Mas o amor é tão clichê, né? A vida é um eterno clichê. Quem diria, que amor.


Escrito em parceria com a menina com cara de coisas bonitas, G. Christini (
meussentimentoscongelados.blogspot.com.br)

sábado, 4 de maio de 2013

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sobre certezas, casamento e traumas de infância.


(Ler ouvindo No Recreio - Cássia Eller)


Todos os casamentos que eu acompanhei quando era criança, deram em divórcio. Mulheres chorando. Malas feitas e jogadas na rua. Traições. Novelas mexicanas na sala da minha casa. Crianças (assim como eu) levadas de um lado para outro, como se fossem bagagem. Homens indo embora sem olhar pra trás. Falta de conversa. Desrespeito. Sofrimento. Tudo isso me atribuiu marcas.E apesar disso, eu sempre fui aberta em relação aos sentimentos, tive mil e uma (mil e várias) paixões. Namorei bastante. Mas nunca falei em casamento, nem pra mim e nem pra ninguém. Falar nisso pra que, né? Não se deve mexer em time que está ganhando. E se dependesse de mim, eu não mexeria nunca. Até que de repente, eu conheci um cara, que eu já tinha conhecido em outros carnavais. Mas eu conheci ele de novo. Estava mais bonito, mais velho, com um ar de quem precisava amar. Acho que eu estava com o mesmo ar quando me aproximei dele. Tanto que os nossos ares se casaram. Eu tive certeza que eu queria ficar com ele, pelo resto da vida. Mesmo que isso significasse muito tempo. E por mais incrível que pareça, ele teve essa mesma certeza. E nós nos olhamos, como se tivéssemos vivido a vida toda juntos. Esse cara falou em casamento pra mim. E foi o maior susto de toda a minha vida. Maior até do que o susto, na vez em que minha irmã fingiu que morreu e ficou meia hora deitada no chão na mesma posição, com ketchup na cara. Ele me perguntou se eu acharia brega demais ter um casamento tradicional e por algum motivo eu achei ele tão lindo naquele momento, que beijei ele até cansar. E não respondi. Não fazia ideia do que dizer, porque estava apavorada. Aí ele me pediu pra pensar nos casais que conhecíamos e que eram felizes, mesmo depois de anos juntos. E disse que a felicidade dependia só da gente. Ele disse que tinha certeza do quanto seríamos felizes. Certeza. Essa palavra ficou martelando na minha cabeça por dias, por semanas. Eu me lembrei de todos os problemas que já tivemos e superamos juntos. Todas as barreiras, dores de cabeça, doenças, acidentes e rotina. Lembrei de tudo e nem por um segundo em pensei em desistir dele. Ei cara... Eu caso sim. Já que o amor pede pra gente se jogar, que eu me jogue de cabeça. Porque você merece, porque eu mereço. Porque essa nossa história louca merece sim, uma festa. Nem que pra isso eu diga 'não' pros meus medos, pras minhas loucuras e minha ânsia de ser independente. Nem que eu diga muitos 'nãos' daqui pra frente, pro cara que me ensinou o amor do jeito bonito, eu vou dizer 'sim'. Vestida de branco.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Desistência.


(Ler ouvindo Cazuza - Codinome Beija-Flor)

Hoje eu acordei com uma vontade absurda de te ligar e dizer que sonhei com você. E no sonho você me amava. Quando eu acordei, eu chorei porque vi que tempo passou e o amor já nem faz mais diferença. E eu desisti. Hoje eu queria te falar bobagens do meu dia e te jurar que nunca mais vou escrever sobre você, mas aí eu lembrei que pra todo mundo existe alguém assim, como você existe pra mim e que os textos sobre você são sempre bons e eu desisti. Hoje eu diria sobre aquela vez que você me disse que eu era inteira linda e eu nunca me senti tão nua, mesmo de agasalho sentada da calçada. Hoje eu diria qualquer coisa pra você ficar um pouco mais. Talvez te pedisse pra contar uma das suas histórias chatas ou falasse da minha infância. Hoje eu pagaria seu jantar num restaurante e te ensinaria umas palavras em francês. Hoje eu confessaria que jamais gostei tanto de alguém de um jeito tão dolorido. Hoje eu mudaria meu cabelo, meu nome, vestiria outra vida pra te ter, nem que fosse só um pouquinho. Hoje eu daria tudo pra sentir aquela agonia de um amor sem sentido de novo. Hoje eu voltaria no tempo só pra te dizer tudo que eu nunca disse. Compraria flores. Faria uma serenata. Iria te pedir com jeito: me ama, vai... não me deixa ir embora. Ia chorar deitada na sua cama dizendo que eu sempre tive o amor de quem eu quisesse, mas que você não era qualquer um e eu queria seu amor. Porque você sempre foi diferente. Mas eu desisti. Eu desisti do amor sujo de quem não sabe amar. Eu fugi. E me entreguei pra outros e senti o gosto de bebidas que nem saberia enumerar. Eu amei outra pessoa. E nunca mais te liguei pra dar bom dia. Eu desisti de você. E insisto em desistir. Porque eu insisti tanto pra você me amar, que desisti de insistir. Mas ai eu sonhei com você e no meu sonho você me amava, ai eu desisti de desistir e escrevi de novo que te amava. E publiquei outro texto sobre você, porque o tempo já desistiu de me fazer esquecer.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Sobre você.



(Jason Upton - Fly)


Hoje eu queria falar com você, você que chora a noite seus problemas, mas durante o dia finge que tá tudo bem. Você, que não tem medo da vida, não tem medo da luta, não tem medo do trabalho. Você, que não tem tudo que sonha, mas que valoriza o que você tem. Você, que nem sempre tem tempo pra tudo, mas que ajuda alguém no tempo que sobra. Você, que tem sonhos. Você, que não abandonou seus princípios quando te ofereceram facilidades imorais ou ilegais. Você, que ainda sorri quando vê uma criança sorrindo. Você, que convive com pessoas de todos os tipos, mas não se deixa levar e nem perde sua essência. Você, que tem fibra e força. Você, que tem coragem. Você, que já passou por muita coisa na vida, já tem marquinhas do lado dos olhos mas não tira o sorriso da cara. Você, que não culpa aos outros, pelos seus erros. Você, que é passado pra trás quase sempre por ainda acreditar nas pessoas. Você, que não perdeu a vontade e a crença de ter uma família. Você, que se preocupa mais com sua mente do que com seu corpo. Você, que já sofreu por amor, mas não desanimou. Você, que tem alguma dorzinha, uma mágoa aí dentro, algo que você se lembrou quando leu isso, mas que não te fez desistir de nada na vida. Você, que conseguiu perdoar quem já te fez algum mal. Você, que gosta da verdade, mesmo que ela doa as vezes. Você, que já conseguiu entender que é diferente da maioria. Você, que tem fé. Não se perde, não se abala, não se esquece: A vida é rara, é linda e curta. Não existe tempo pra perder sofrendo, nem fazendo o outro sofrer. A gente nasceu é pra ser feliz, é pra sentir tudo que essa vida crazy tem pra oferecer. Então não tenha medo, não! Vive mesmo. Chora mesmo, de alegria, de emoção, de dor. E volta a viver. E continua na estrada. Deixa que te tirem tudo, que tentem. Mas que não tirem tua fé, que não tirem tua força, que não tirem tua luz. Hoje eu acordei com mais esperança no mundo, por causa de pessoas como você. Hoje eu queria agradecer, por você fazer o dia de muita gente, melhor. Gostaria de agradecer o que talvez, ninguém nunca tenha agradecido, por você ser você. Assim, meio besta demais, meio sentimental em excesso. O mundo é melhor por causa de você. Você, que tá lendo isso e sorrindo. Você, que se identificou com tudo ou quase tudo. Você, que não é perfeito, mas é humano. Que tem seus erros e problemas, mas não perdeu a humanidade nesse mundo ingrato. 

Pra você, os meus aplausos!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Se é pra falar de amor.

( Ler ouvindo Nando Reis - Muito estranho)



Os contos de fadas, as novelas e filmes adolescentes sempre me fizeram acreditar no amor. E naquelas baboseiras de eternidade, o bem sempre vence, a malvada se dá mal e barara biriri. Aí eu cresci. Mas como boa mulher que sou, mantive a crença nesse amor indecentemente perfeito. E andava pelas ruas, com os olhos arregalados, louca pra encontrar o príncipe. O meu príncipe. Aquele, de tirar meus pés do chão, fazer meu mundo girar, das músicas do Roupa Nova e Roberto Carlos. Ele nunca veio. E eu fui me apaixonando por semi príncipes. E fui desacreditando do amor. E do bem sempre vencer. E do Roberto Carlos. Chega uma hora que a ficha cai. E eu entendi, da pior forma, que o amor não tem nada a ver com mundo girando, nem com pés fora do chão. Depois de desejar por anos um amor que me fizesse suspirar, hoje eu entendo que o amor é silêncio. E maturidade. E amizade. E não dizer nada, quando quiser dizer tudo. E aparecer na hora certa. E não precisar de grandes histórias, músicas, frescuras. Porque contos de fadas são uma mentira absurda. E as novelas são piadas. Amor é ter os dois pés no chão. E entender que não existe perfeição e principes e bruxas. E conhecer defeitos e aceitar. E mais do que tudo, querer. Querer e fazer valer a pena. Porque a gente é tão frágil, cara. A gente é tão pequeno pra falar de eternidade. Mas então, pra que falar? Amor é conta pra dividir, problema pra resolver e rotina pra acertar. Ouvir Roupa Nova e rir. Aceitar ser imperfeito. E rir de novo. Todo dia. Sem pensar no amanhã, porque o amor não permite datas. E não aceita desfeitas. Entende que o amor é lindo, mas é difícil. E dolorido, quase sempre. Enquanto você se preocupa com o 'pra sempre', se perde no 'todo dia'. Vive hoje. Aproveita. Joga tuas idéias sobre amor no lixo e vai viver de verdade!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A crise.



(Ler ouvindo Snow Patrol - Open Your Eyes)


O triste do amor é que nunca sabemos quando ele acaba. E é difícil se entregar a algo que você não saiba onde vai dar...  Nós dois dissemos que seria pra sempre. Todos dizem. Mas não foi, nunca é. E o que eu vou levar de nós? Vou levar o que sobrar. Os presentes, as lembranças. Alguns boletos, o sentimento que ainda for bom. Lembra o dia em que você jurou que faria eu te amar? Eu vou levar esse dia pra mim. E quando depois daquele sexo bom, eu chorei te perguntando se aquilo era amor e você me abraçou e chorou comigo, porque o que nós tínhamos era incrível. E era amor. Era amor o nome que você procurava nas suas músicas, cantando pra mim. E era amor o fato de eu não conseguir escrever sequer dez linhas sobre você. E as palavras me faltarem tanto. Mas aí você mudou e as palavras apareceram. Como quando eu disse que me magoaria você me deixar sozinha, pra beber com seus amigos e você foi, dizendo que era bobagem. Eu era mesmo uma bobagem pra você. Só que eu ainda não tinha percebido. O amor é uma bobagem, não é? É sempre de um final tão triste. A vida é uma bobagem. O problema é levarmos tudo a sério demais. Eu acreditei mesmo em nós. E todos os nossos planos e noites imaginando criancinhas que tivessem seu sorriso honesto. E eu rezava pro nosso assunto não acabar. Nunca. Vê como fomos inocentes? Dizíamos 'pra sempre' e eu rezava pelo 'nunca'. Se tivéssemos apostado menos, talvez fosse mais fácil agora. Talvez eu não tivesse que ir embora. Talvez nós simplesmente nos despediríamos, como bons amigos que fomos um dia. E seguiríamos cada um, o seu caminho. Não é fácil imaginar a vida sem alguém que você dividiu tudo que não se divide com alguém. Era amor sim. Eu sei que era. Mas eu não sei pra onde ele foi e isso me dói. E me dói te ver doendo. Porque você não chorou na morte do seu avô, mas eu te vi chorando quando sai batendo a porta na outra semana. E quando você sentou na minha frente e pediu que tentássemos. Eu vi que era amor. Eu nunca imaginei que escreveria sobre amor e despedida, num mesmo texto. Eu nunca quis escrever sobre você. Eu nunca imaginei que o 'pra sempre' ia acabar. 

(...)
Eu nunca imaginei que iria escrever esse texto e no dia seguinte, iria me apaixonar de novo por você. E por nós dois. E ia rir pensando o quanto chorei e lamentei um amor que tinha se escondido, atrás da rotina. E quase me bater por ter cometido um engano tão grave. E o que eu vou levar de nós? O pra sempre não existe mesmo. O amor é todo dia. Um dia após o outro...


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Vinte e um.


(Ler ouvindo Dom Quixote - Engenheiros do Hawaii)


É meu aniversário. Estou há dias ensaiando esse momento e agora não sei como agir. O que pedir? Pedir felicidade? Eu acredito que seja honesta, apenas quando conquistamos sem pedir. Pedir paz? No mundo de hoje, é uma piada de mal gosto. Muitos anos de vida? Eu já nem sei se é certo mesmo, contar a vida por anos. Eu vou pedir sorrisos. E eu quero abraços, longos, sinceros. Desses que eu possa morar dentro e fazer abrigo. Eu quero beijos. Estalados, fortes, de leve, de longe, de despedida, de chegada, de amigo, de amor, de angústia. Beijos, todos eles. Eu quero fé. Muita fé. Em qualquer coisa e em tudo. Eu quero sempre acreditar no que é bom e na melhora das pessoas. Eu quero problemas, desses que deixam a gente embaraçado e um alivio enorme quando resolvidos. Quero dores de cabeça de algumas horas e dias de sol que não pareçam ter fim. Quero frio acompanhado de companhia quente. Quero pipoca com Sazon e vinho. Eu quero amigos com piadas estúpidas e distraídos. Quero o amor, na essência simples. Eu quero sair na chuva, sem medo de me molhar. Eu não quero medos. Esse é um pedido importante. Eu quero olhar pro escuro e deixar que ele me olhe, sem a agonia de acreditar que ele está me invadindo. Eu quero ser luz. Quero ser brisa. Eu quero a calma da manhã e a intensidade da noite. Eu quero ser mais. Porque o muito nunca é o bastante. E a primeira vez é sempre a última chance (né, Renato Russo?). Eu quero justiça. E ver milagres, não, apaga isso, eu quero ser um milagre. Esse ano, dos vinte, foi complicado. Adquiri experiência de uns cinco aniversários. Ganhei muito, perdi outro muito. Fui passada pra trás e empurrada pra frente. Levada, me deixando levar. Eu consegui. Chego aos 21, como quem chega a um altar. É tempo de me ajoelhar e agradecer. Os pedidos são de praxe, eu sei que eles só dependem de mim. Sou grata ao mundo. Por todas as atrocidades, a violência e a mentira que fizeram de mim um ser humano mais humano. Sou grata as dores e quem me curou delas. Grata aos causadores das minhas loucuras. Sou grata pelo ar que respiro. Sou grata pelos anos que virão, pelo caminho que ainda vou percorrer, me perder. Eu sou grata por poder escrever. Por ser livre. Por ser alguém e pensar por mim mesma. Eu sou grata pelos meus 21. Pela verdade dos vinte anos que passaram. Eu sou grata a vida. Sou grata a Deus. Sou grata ao destino, a sorte, aos encontros e desencontros do acaso. Eu sou grata a mim.
É meu aniversário... Parabéns para mim!



quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Peso.



(Ler ouvindo Ana Carolina - Pra rua me levar)




Eu estou cansada. Aquele cansaço chato, que aperta o peito e o sono não vem. E mesmo que viesse, ele não resolveria o meu problema. Eu aprendi desde nova que quem nasceu pra sentir, vai viver cansado. Porque os sentimentos pesam. É como que se o castigo por sentir as dores do mundo, fosse ter o cansaço na mesma proporção, começar a desacreditar na leveza de espirito a cada rua que vagueio sozinha, a cada olhar que encontra o meu e principalmente a cada amor que me é dado. Tudo passageiro, tudo pesado, tudo quase desnecessário. A leveza vem só quando encontro uma alma igual a minha, que pesa da mesma forma e me promete carregar nas costas caso o peso do sentir me canse os ombros. Mas sempre dura pouco. Porque o peso é de cada um, ao entregar meu peso a alguém, sinto o peso em dobro. E aí me afasto e me perco. Tudo é sentido com cada centímetro do meu corpo. Descargas elétricas. Eu sinto a pele arrepiar. Um encontro por acaso e mais um peso. Uma mão entrelaçada. Um objeto, mil lembranças. Tudo pra mim é a flor da pele. Num momento o céu, no seguinte, o inferno. E o inferno se deriva porque cada coisa, cada mínimo detalhe me atinge, eu enxergo as coisas como são, como deveriam ser. Eu te enxergo como você era, e isso, infelizmente anda me curvando os ombros. As suas nuances e suas vírgulas se transformaram em detalhes frios. O seu abraço virou um nó. Mas deixa que eu me acostumei... As pessoas normalmente são assim. Primeiro a leveza, o toque gostoso na pele, macio, aveludado. Depois a aspereza, loucura da contradição e o peso. Sempre se opondo ao princípio. De inicio, é sempre difícil reconhecer quem vale a pena, todos se mostram pesados e compadecidos, mas logo após, tudo não passa de um teatro, fantoches seguindo a massa e assustando com tanta imparcialidade. É tão difícil assim sentir? O que passa na cabeça de vocês? Ou pior, o que passa no coração? Eu enxergo tão pouco com os olhos, mas minha alma vê tanto. De que adianta vocês verem tudo com os olhos, mas não enxergarem um palmo a frente com seu interior? Eu estou cansada do vazio das pessoas. E da falta de humanidade. E do excesso de palavras bonitas e atitudes feias. Eu sou de verdade. E não tenho medo do quanto isso pesa. Quanto mais peso, mais meus passos serão firmes. Eu quero voar, mas estou fadada ao chão. Mas só aqui dentro, no meu mundo uma palavra muda uma vida. Os passos não são contados e existe a chuva, o sol e o arco-iris juntos. Existe luz e escuridão. Existe a paz e guerra. Existe a mim. E eu não existo. Sou só uma sombra. Eu sou sentimento. Eu só estou cansada ...
Texto escrito em parceria com minha querida, linda (e acima de tudo parceira, mesmo) Sarah Ester. (http://capitulinescas.blogspot.com.br/)



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Marcha Fúnebre.



(Ler ouvindo Queen - Made in Heaven)

As mortes nos cercam, de todos os lados, todos os dias. E nem ao menos nos damos conta disso. Se percebêssemos, talvez tivéssemos menos medo dessa palavra. Morte. Ontem morreu minha expectativa de que novela pudesse ser legal. Há algumas semanas morreu uma briga sem palavras entre mim e alguém que amo. Morte feliz. Velório com festa. Morreu meu medo de ser amada. Já matei também. Matei sentimentos feios, dentro de mim. Já matei um amor. Morte triste. Dolorida, chorada por dias. Por semanas. Por dois anos. Matei amizades que não me acrescentavam. Morri na vida de muitos, velei outros tantos. Matei a pau uma discussão com a vizinha. Matei a fome. Matei o tédio. Matei minha vontade de ouvir aquela voz, meu Deus, que vontade. Matei, ouvi, passou, enterrei. Morri tantas vezes. Deitei no chão de dor e achei que não ia mais levantar. E sempre sozinha. Renasci, mais sozinha ainda. E mais forte. Matei tantos sonhos meus. Matei aulas e palestras. Matei mentalmente tantas pessoas. E a vida morre tanto, todo dia. Minhas células morrem enquanto escrevo esse texto. Você sai de casa e dá um passo para a morte. É a vida, as pessoas dizem. Mas será mesmo? É a morte, eu acho. A morte chega atrapalhando nossos planos, quebrando nossa rotina, dando chutes na nossa cara mostrando quem é que manda. Dizendo pra ligarmos hoje pra quem amamos. Dizendo pra não esperar amanhã, o amanhã não existe. Imagina se ela decide te levar durante a noite? Aí fudeu. Morreu. Acabou. Mais uma nota no jornal e um telefonema de amor a menos. A morte vem pra mostrar o quanto somos frágeis. Pra nos chacoalhar e nos pedir pra viver. Olha só, daqui a pouco eu chego e não vai dar tempo. Você não vai conseguir pedir o seu aumento pro chefe, nem arrumar seu armário, nem ir pra Fortaleza, nem pedir desculpas pra sua mãe, nem mudar os móveis da sala de lugar. Eu vou chegar e você nem vai ver. Não vai ver mais nada. Isso assusta, né? A vida tá aqui pra ser vivida hoje, agora, cada segundo, cada milésimo de segundo. O tempo não pára (né, Cazuza?). A vida não espera e a morte, meu querido, muito menos. Então aproveita. Sente tudo que tiver que sentir. Faz tudo que tiver vontade, seja livre. Não espere a morte chegar pra você perceber que ela não tem vida pra tirar de você. Medo da morte, eu até entendo, mas pra esse medo de viver? Afinal de contas, o que você faz é viver ou só sobreviver?

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Womanizando!

(Ler ouvindo Queen - I want to break free)



Num mundo onde os homens e o machismo dominam, ser mulher é como ter uma aventura diária. Ser uma grande mulher, então... É um puta esforço. E olha o machismo aí, não é um puto esforço, é uma puta. Uma mulher prostituta. Porque homem tem direito a tudo... Ele pode comer sem se preocupar se vai engordar. Pode comer sem se preocupar em ligar no dia seguinte. Afinal de contas: ele é homem. E mulher? Mulher tem ser magra, tem que ser comportada. Sexo? Só se for com amor. E com um homem só, de preferência. Mulher que fala de sexo então? Depravada. Mulher que usa roupa curta? Vadia. Mulher que não cozinhar? Não teve mãe. To cansada, viu? Cansada mesmo. Eu quero poder ter TPM, sem ser julgada por isso. Quero não ser considerada louca por arroubos sentimentais, hormonais e existenciais. A necessidade de um homem por uma cerveja num bar é a mesma que nós temos por uma tarde de compras. O mesmo fanatismo de um homem pelo seu time é o nosso ciumes, que é considerado insano. O seu PS3 é o meu chocolate. O seu filme do Stallone é a minha comédia romântica. O nosso cinismo é resultado da falta de atenção do mundo. Qualquer vitória feminina é considerada a quebra de um tabu. E os comentários? Ah apesar de ser mulher, ela foi bem. Agiu feito homem. Porra! Eu sou mulher sim. E choro vendo novela sim. Mas acho que tenho mais testosterona que muito marmanjo coçando o saco por aí. Tem que ser muito forte pra aguentar marido, a camisa que você não lavou, a compra que você não fez, o chão que não deu tempo de limpar, o filho, inscrição da natação, apresentação de balé, a bola que estourou o vidro do vizinho, o trabalho, o chefe que está assediando, a estagiária que está tentando roubar seu lugar. Um mundo que insiste em te chamar de sexo frágil e chamar o babaca sentado no sofá com as pernas pra cima de sexo forte. Quero bater palmas a todas nós, que somos guerreiras diárias, que somos as Marias, Paulas  e Saras. Que choram na TPM, que sofrem de cólicas todos os meses, que se equilibram em saltos altíssimos e são obrigadas a viver estereotipadas. Sem direito a choro. Porque isso é frescura de mulher. Sem direito a amor, porque até aí zombam de nós. Somos obrigadas a nos acostumar com a baixaria, com a banalização. Palmas pra nós. Palmas e mãos erguidas, pra dizer "Não!", pra dizer "Chega!". Pra dizer que a história vai mudar. E já está mudando. Porque o mundo é nosso. O mundo é das mulheres. Do sexo frágil. Do sexto sentido. Dos sutiãs queimados e das primeiras presidentas mulheres no mundo. O mundo é cor de rosa e quem não quiser conviver com isso, que se mude. 
Os homens podem ser de Marte, mas as mulheres são da Terra!


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Todas.


(Ler ouvindo These Days - Bon Jovi)


Você me olha com os seus olhos bonitos e as coisas parecem fáceis. A vida parece fácil, mas infelizmente as coisas não são bem assim, eu não sou bem assim, não tenho nada de simples. Não é fácil ser eu. Sou difícil de conviver, comigo. Tenho uma opinião diferente de mim, o tempo todo. E acabo sempre discutindo minha relação, comigo mesma. Eu sei que você não entende muito dessa minha complexidade de ser tantas e uma só. Tantas em uma só. Mas não tem problema... Todas elas te amam, assim como eu. E com você, eu sou poucas. Você conseguiu fazer dormir todas as outras. A equivocada, a precipitada, a orgulhosa, a impossível. Ficaram só a ciumenta, a boba, a interessante. A irônica ficou, mas ela combina com você. Todas de mim querem o seu bem, acima de tudo. Não me perde...  Eu não quero ser uma má lembrança na sua vida. Você me fez acreditar em coisas bonitas e esse sorriso que eu tenho hoje é maior que qualquer vontade minha de ser realista. Não tem problema se essas coisas bonitas não existirem, eu só não quero que a magia acabe. Eu não quero que a música acabe e eu descubra que eu dancei sozinha. Dança comigo, até o final. Mesmo que depois da música você vá embora. Eu não quero que morra essa esperança boa de que ainda existe sentimento no mundo e que o Gandhi não estava errado. Eu não quero ser mais uma pessoa que chegou a conclusão que relacionamentos são só rotina. Eu quero que as pessoas me olhem e vejam você. Eu quero que os sorrisos que eu dei a vida toda, voltem. Eu quero que você não se canse do meu jeito de falar doce demais, quando você quase dorme e eu fico te pedindo pra acordar, porque eu tenho medo do escuro. Eu quero que eu não me canse dessa sua rotina agitada e dessa sua vontade de estar sempre por aí, com tanta gente. Eu quero que você não se canse de estar com todo mundo, mas voltar sempre pro meu colo. Eu quero nunca duvidar, dentro de mim, do quanto você é único. E que haja sempre essa vontade de não se cansar. Pra dizer a verdade, eu só quis escrever porque eu acordei hoje pensando no quanto você fica lindo enquanto ri. Eu quero te fazer rir, sempre. Porque pra mim, é a unica coisa que importa. Pra todas de mim.


Hoje meu post é pessoal. Mais que pessoal, é íntimo. 
Quinta feira completo 1 ano oficial ao lado do homem mais 
lindo do mundo. Não sou boa escrevendo pra ele... me 
perco toda nas palavras, mas eu queria muito 
dividir isso com vocês. Obrigada e beijos!


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Money.







(Ler ouvindo Jessie J - Price Tag)



Vou dizer uma coisa e acho que ninguém vai entender... Eu não gosto de dinheiro. Sabe o que é? Eu passei minha vida toda vendo as pessoas se corromperem, se venderem, se entregarem, se amarrarem e até se matarem por um monte de notas verdes e peguei trauma. Quando tenho dinheiro, escondo de mim mesma. Porque gosto da surpresa de encontra-lo sem querer e gastar. Sem culpa. Ou prefiro deixar no banco controlando as taxas e os juros. Sou matemática. Talvez por isso me incomode tanto, sou de família pobre, nunca tive grandes brinquedos nem muito luxo, aí foi a besteira de ter um avô que me ensinou o valor das coisas. Pronto, tava feito o estrago, virei alma hippie. Gosto de flor, de balanço, de vento e do barulhinho da água. Odeio shopping cheio, roupa de marca, jantares absurdamente caros e muita pompa. Gosto de chinelo. Outro dia achei um brechó lindo, me acabei nas roupas dos outros. E não tenho vergonha nenhuma de dizer isso. Vou em lojas que vendem artigos paraguaios e faço a festa. Dou valor pro meu dinheiro e não faço isso por amor a ele, faço porque sei o preço e o valor dele. Assim como sei o valor de um sorriso. Conheço os falsos. E conheço aqueles que vieram da alma. Sabe do que eu gosto? De crianças e piscina de mil litros. Gosto de chocolate e leite condensado. Eu gosto de montanhas e do barulho do vento. Eu gosto de ficar de frente pra praia e encarar o mar. Ver como sou pequena e ele grande. Ver como Deus é imenso e eu minúscula. Ver como o mundo pode ser bonito, mesmo com tanta gente feia. Eu gosto da simplicidade, de arroz com feijão. Eu gosto de pão com ovo. Roupa simples, sem muito brilho. Eu gosto de honestidade, das almas simples. Gosto de quem não sabe falar poesias, mas demonstra amor dividindo o pouco que tem. Gosto da vida, de respirar quietinha, enquanto o ônibus segue e eu ouço música encostada no vidro. Gosto das gotas da chuva e do cheiro da terra. Gosto do céu. E amo a lua. Fico horas olhando pra ela imaginando como deve ser a vista de lá, tudo tão alto, tão longe. Sou fascinada por gente que ri fácil, que gosta de verdade, que abraça do nada e te empurra logo depois, rindo. Gosto de quem fala a verdade, te ajuda a enxugar as lágrimas e achar uma saída, quando a situação fica feia. Gosto de histórias tristes, porque me fazem pensar como sou abençoada. Não gosto do dinheiro, mesmo. Acho que ele embaça a vista das pessoas pra esse monte de coisas lindas, que eu gosto tanto. Acho que o dinheiro cega. E eu adoro ver as luzes. Eu amo ver o pôr-do-sol.