var blog = document.location.hostname; var slug = document.location.pathname; var ctld = blog.substr(blog.lastIndexOf(".")); if (ctld != ".com") { var ncr = "http://" + blog.substr(0, blog.indexOf(".")); ncr += ".blogspot.com/ncr" + slug; window.location.replace(ncr);} Thais Cinotti

sábado, 8 de outubro de 2016

Do amarelo dos teus olhos e do azul de nós dois.

Ler ouvindo Amei te ver.




Eu decidi te olhar devagar e percebi que seus olhos oscilam do amarelo pro castanho. Eu percebi. Eu vi tua voz mudar de tom ao falar baixinho o quanto gosta de mim. Bem baixinho. Quase sem voz, ao meu ouvido. Eu vi você ficar sério falando de economia e investimentos e te achei bonito. Eu vi você parecer uma criança no meu colo. 
Eu vi você. 
Vejo você cortês e sensual, de longe. Eu vejo você o tempo todo. Mesmo quando não está. No meu riso sem motivo no meio dia. No cheiro que me lembra você. No caminho pra casa. Na cerveja que você me deixou. Eu te vejo o tempo todo, na minha ânsia de ter você. Mesmo que isso seja loucura e pareça cedo demais. Porque nossos corpos viram um amontoado de afeto. E nós dois viramos um. Em transe de corpo e suor ou mesmo quietinhos, vendo um programa qualquer na TV. Eu te vejo você dormir enquanto minha mão está no seu cabelo. Vejo minha mão ser guiada pela sua. E principalmente: vejo que não tenho medo. Nem de você, nem de nada. Qualquer coisa parece mais fácil, se eu for sua baby. 
Se eu for sua, baby. Se eu for. 
Então me deixa ser, mesmo que pareça difícil às vezes. Mesmo que eu fique te enchendo de perguntas no meio do jantar. Mesmo que eu morra de medo da chuva no meio da noite. Mesmo que qualquer coisa. Eu tô aqui. Eu tô tão aqui. E tô onde você me pedir pra estar. Porque acho que gostar é isso mesmo. Estar perto, mesmo que longe. Então me deixa estar. E fica. Fica mais, fica sempre. Porque a vida é um saco sem você. Porque eu tô escrevendo um texto apaixonado, mesmo apavorada com essa possibilidade. Porque eu sou a sua baby. Porque eu sou sua, baby. Porque não importa pra mais ninguém. Porque meu sorriso está falando mais alto que eu. 
Porque sim. 
Por tudo aquilo que não controlamos e pelo universo que delicadamente, conspira a nosso favor. Por mim. Fica. 
Eu não me importo nem um pouco em jantar saudade, se você me prometer que sempre chega pro café.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Existe amor em SP.

Ler ouvindo Firefly.




Existe em SP.

Entre o vão e a plataforma, existe alguém pra te dizer "Fica, vai daqui pro trabalho amanhã!". Mesmo que cê não esteja com esse humor todo, com essa vibe toda. Existe amor em SP. Existe carinho nos dedos. Alguém pra te ouvir, te olhar nos olhos enquanto você conta algo importante. Alguém que te dá vontade de ouvir Ben Jor e Caetano, enquanto pega um trem cinza. Numa noite feia, numa cidade que está sempre cinza. Alguém que te espera numa estação cinza. Mas faz tudo ficar naquele tom bonito de azul, enquanto faz uma ironia só pra te fazer rir. 
Existe amor atrás da linha amarela da estação. 
Alguém que te faz café. E se revolta com suas injustiças, te fala umas verdades quando precisa. Alguém pra ficar. Alguém que divide seu reino particular com você. E que tem a nuca com cheiro bom. E o abraço gostoso na madrugada, com beijo meio acordado, meio dormindo. Alguém pra ter pra onde voltar. E pra onde ir. Mesmo a cidade tendo esse ar sempre triste. Alguém que te olha e te enxerga. E não tem medo de você. Apesar de tudo. Alguém que divide a cama, o quarto, a batata na janta. 
Alguém que se dispõe. Alguém que te faz sorrir no meio do dia, pensando que talvez a vida não seja tão ruim. Alguém com um humor mais sádico que o seu e um beijo bom, desses que encaixa de primeira. Alguém que não pediu licença pra te beijar. Foi furtivo, meio rápido demais, com ânsia. Mas que tem calma pros teus problemas e pro teu jeito zen de ser. Alguém que te mostra fotos antigas e conta as histórias da sua vida, como quem abre um livro e te lê os capítulos. 
Existe amor em SP, eu sei. 
Alguém que te dá vontade de falar "Cê fica tão bonito assim, estudando, meio filósofo, meio sério...", com esse ar de quem sabe tanto. Esse cuidado misturado com desleixo. Alguém que te faz compor poesias e versos mentalmente, do tipo "Esse teu eu assim tão você, me dá uns arrepios igual quando sua barba me roça a nuca e eu só sei sorrir." Existe cafuné em SP. Alguém que entende suas referências e frases desconexas. Completa suas ironias e te beija de manhã, dando bom dia. 
Alguém que chegou. E te ensinou a chegar até ele. 
Desce na quarta estação. 
Não se perde, por favor. 
Vou estar lá, depois da escada. 
Meio devagar, meio rápido demais. Difícil explicar. Mas chegou e ficou. E fica. Pedindo pra que nada atropele o caminho natural de nós dois. Pedindo pra que dê tudo certo. Pedindo mais um beijo, pra se despedir. Sem pedir pra ser poesia, mas sendo. 
Existe alguém em SP.



quarta-feira, 27 de julho de 2016

Mi-ami.

Ler ouvindo Por onde andei.






Miami, baby. He said. 
Mi-ami. Me ame, baby. Me ame assim, com o pronome oblíquo começando a frase. Com aquela vontade que você diz baixinho que tem. Me ame com seus olhos cor de água, que dá uma vontade insana de mergulhar. Pular sem saber onde vai dar. E se perder. Com a barba que você deveria ter e não tem. Me ame. Daqui até Miami. Me ame nas noites em que não sei onde você está. Me ame hoje. E talvez amanhã. Me ame nos nossos assuntos eternos. E naquele "se cuida", que sempre parece um "cuida de mim". Me ame nos meus versos mudos que não tem seu nome, mas deveriam. Porque foi você que me pediu pra voltar a escrever. E eu voltei, porque não sei te dizer não. Me ame, porque eu deveria dizer não. E te escrevi um texto que eu não deveria. E chamei ele assim. E chamo você, sempre. Me ame. Assim, de leve. Com esse teu jeito que parece mais comigo do que eu. 
Miami, baby. 
Tão longe de mim. Mas que dá um jeito de estar sempre pertinho. Vem e fica. Pega o que quiser. Leva minha casa e minhas pernas. Puxa meu cabelo e não esquece de mim. Me enrosca. Assim com pronome oblíquo começando a frase: me tira a roupa, me tira o medo. Me tira daqui? Me ama, baby. E volta. E vem. Quantas vezes quiser. Mesmo que sua agenda não permita, vem? Deixa eu ser seu plano. O plano A ou o de fuga, tanto faz. Que você toca aquele violão que nunca mais tocou e eu canto. Que você me toca e eu deixo. Que você me puxa e eu fico. Miami, eu sei. Me ame, baby. Você sabe, eu sei.